O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

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Mais um livro clássico aqui no blog e mais uma vez aquela dificuldade em falar sobre livros icônicos e tão importantes quanto esse. Para mim soou como uma viagem no tempo. Clichê, eu sei. Porém, não foi num tempo no qual Emily escrevia, mas no da minha infância. Quando numa tarde qualquer vi o filme “O Morro dos Ventos Uivantes” e nunca mais algumas imagens saíram da minha memória.

Antes de mais palavras, esse livro tem um gostinho muito querido pra mim. Comprei na primeira vez que fui a um sebo perto do meu estágio, um sebo pequeno, mas tão bem decorado e convidativo que já entrei querendo sair com livro. Olhei, garimpei e por fim, para dar “licença” a um outra exploradora, vi esse livro. A 1ª Edição para a Coleção Abril publicada em 1971, com uma capa vermelha linda, letras em dourado, páginas amareladas e custando simples R$8,00. Fiquei insegura, andei, andei, com ele ainda na mão, mas aí lembrei do filme. De como algumas imagens me marcaram tanto e que ler a história finalmente seria como completar uma fase.

contra-capa

Passado o romantismo da compra me debrucei na história. Se passa no começo do século XIX, com uma moça rebelde e bastante mimada que se apaixona pelo cigano que seu pai adota, sem muitas explicações, causando ciúme em toda família. Heathcliff e Catarina, o casal de anti-heróis mais famosos e odiados da literatura se apaixonam de maneira surreal, porém por conta do orgulho, ambição e vingança não vivem seu amor e acabam o levando para além da vida.

A todo momento você é provocado, intimado a raciocinar sobre os personagens que lê e ainda decifrá-los. Ficamos presos a uma história  sempre narrada pela empregada Nelly que conhece de perto a história de todos ali, principalmente a do casal controverso, e no final de tanta reflexão você não sabe se apoia Heathcliff ou se o odeia por conta de toda sua falta de escrúpulos, maldade e dissimulação. Ambos vivem numa sociedade em que os pressionam a destruírem seus verdadeiros “eus” que temos compaixão com os dois e seus sofrimentos. Vivem a separação de forma trágica e com consequências extremas por parte de Catarina que se entrega a uma depressão como forma de se vingar dessa sociedade que a forçou a se casar com outro homem para ter uma posição de dama e r isso ser respeitada.

É desafiador nos pegar observando os personagens e famílias, percebendo que em alguns casos o meio os corrompe e os tornam todos detestáveis e que em alguns momentos, em algumas pessoas, há algo de inato e não corrompível – como o próprio casal, que por estarem separados e se identificarem em suas personalidades livres e rebeldes, nunca se sentem pertencentes a nenhum lugar em que não estejam juntos. O tratamento do que é belo ou feio é tão subjetivo que nos esquecemos desses padrões enquanto lemos, as descrições em sua maioria são psicológicas, e mesmo assim são do trato como ” […] um coração ruim torna o mais belo de todos em algo terrível.” 

Tão intenso, surpreendente e inquietante que é muito fácil compreender porquê Emily teve que se tornar Emile Brontë para conseguir publicá-lo e ainda assim ter visto seu livro ser rejeitado por tratar do amor entre dois anti-heróis  da forma forte como o fez, por  fugir da tradição vitoriana de romance e usar de violência e morbidez.

Contradizer a ordem. Acho que essa é a frase para o livro e para Emily, que ao falecer em 1848 não chegou a ver seu livro ser assinado por seu verdadeiro nome, e que ironicamente, em seu livro a sociedade e seus valores acabam triunfando no final.

paginas

Para quem quiser conhecer esse sebo em que comprei, ele se chama Luzes da Cidade e fica em Botafogo.

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13 opiniões sobre “O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

  1. Esse livro também me traz memórias “antigas”. Quando eu fazia curso de inglês, tivemos que ler o livro (em inglês, mas naquelas versões simplificadas) para fazer uma prova. Eu gostei tanto do livro que cheguei toda empolgada na hora da prova, falando sobre como eu tinha amado a história, e a professora nem me fez perguntas, já tirei 10, hehehe. Hoje queria ler o livro inteiro, numa boa tradução.

  2. Maravilhosa resenha.

    Uma das melhores que eu já li deste livro.

    Li esta mesma edição anos atrás e deve dizer que o Sr.Heatcliff é o meu personagem favorito, que em partes me lembra um pouco o Darcy, apersar do Darcy ser o favorito das donzelas de ontem e de hoje.

    Adorei tanto que me deu vontade de reler.

    Bjos e mais Bjos Gracinha

  3. Tenho essa mesma relação com o filme que você! Os personagens me marcaram bastante e a história como um todo é bem apaixonante. Gosto de filmes e livros que me fazem ficar analisando por horas… hahaha

    E por isso, esse livro também entrou na minha lista de próximos a serem lidos. A sua resenha me deixou ainda com mais vontade de ler logo. A minha versão é a da editora abril, daqueles com capa de tecido, sabe qual é? É bem lindo também! ^^
    Adorei a sua capa vermelha! Lindão! 😀

    Haaa… e uma das minhas maiores tristezas na vida é a falta de sebos de verdade em Brasília. Aqui os livros são vendidos a preços muito altos. Quando vou a SP, uma das minhas diversões e passeio obrigatório é ir em sebos. Meu preferido é o da Liberdade! 🙂

    Beijinhos!

  4. Nunca consegui comprar nada na Luzes da Cidade, acredita? Mas tenho o Anna Karenina dessa mesma coleção antiguinha da Abril com capa vermelha e letras douradas (é tão antigo que o título é Ana Karênina, bem datado, rs…).

  5. Engraçado é que mesmo amando cinema eu nunca vi esse filme, sabia? Amo clássicos, mas sou do tipo que assisto na hora que tô a fim e não porque eu preciso, e era o caso desse filme… até agora. Não sabia que era baseado em um livro, mas já tinha imaginado, e muito menos que ele era tão bom assim.

    Acredito que pelo tamanho do livro/horos do filme, ele deve ter sido bem fiel, né? Vou assistir o filme o quanto antes e deixar o livro na lista, caso eu goste. 🙂
    E assim, que sorte achares esse livro porque o estado está quase que perfeito e a capa é lindíssima, do tipo que não fazem mais hoje em dia.

  6. Assim que vi a sua edição, fiquei me perguntando aonde você o tinha encontrado, pois o meu também é da avon. rsrsrs

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