Alta Costura Verão 14/15: movimento, juventude e corpo

Nessa quinta-feira (23/01) foi encerrada a semana de Moda de Alta Costura Verão 2014 em Paris. Com certeza duas imagens nos marcaram nessa semana de Moda: as roupas que parecem ter saído dos sonhos e roupas que mais parecem prêt-a-porter. 

Pelas passarelas cruzaram modelos que no mínimo custam RS30.000,00 e que alimentam sonhos e guarda-roupas de mulheres surrealmente ricas pelo Oriente Médio, China e Rússia, principalmente. Investimentos altíssimos que muita das vezes saem como forma de prejuízo para as grandes grifes, mas que servem de suporte para todo o marketing da marca, como combustível para nosso imaginário e nos fazer desejar até mesmo os objetos mais simples e baratos que a grife possa vender.

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Transparência, movimento e corpo à mostra

Muito se falou sobre as pochetes e tênis de corrida que o Karl Lagerfeld pôs nas passarelas da Chanel, mas pouco foi dito com um olhar macro sobre tudo isso – eu, pelo menos, só vi essa matéria da Camila Yahn, no FFW. Do quanto a Alta Costura vem refletindo algumas das macrotendências mundiais: evidência do corpo, da exaltação da juventude e a sensação de movimento; e como tem se desdobrado para trazer novos ares à área mais rica e tradicional do mundo fashion.

Se olharmos mais atentos vemos todas essas referências, desde algumas modelos usando tênis no desfile Dior – flexibilidade e juventude – até as borboletas de Paul Gaultier – animais que simbolizam migração, liberdade e mudança.  O desejo é atingir a juventude com a Alta Costura (já viram as meninas que debutam usando vestidos de Alta Costura?) e que essa rapidez, viço e vigor atinjam as clientes: que a Moda e as roupas feitas sob medida proporcione isso a elas.

O mais interessante é perceber como essas macrotendências estão por aí faz tempo e que parecem estar “subindo e descendo” entre “as camadas” da Moda (alta costura>prêt-a-porter>fast-fashion);  como as releituras e “grau de novidade” deve ser trabalhada sem que se torne “um tiro no pé”. Como tudo não é somente positivo, essas mudanças um tanto quanto bruscas podem afastar as clientes fieis e que, no fim, as roupas tenham pouca diferença aparente entre Alta Costura (exclusivo) e  o Prêt-a-porter (padronizado), tornando o cenário ainda pior para a criatividade dos estilistas. 

Sem sombra de dúvidas é um grande desafio para essa leva de estilistas e Maisons – são em torno de 60, e as desse ano podem não ser as mesmas da próxima temporada – serem inovadores e rentáveis, lançarem tendências sem serem repetitivos e não desgastarem suas imagens. Nos resta agora aguardar, observar atentamente as mudanças e entender/refletir melhor o que acontece, aliás, a Moda – alguns aceitem ou não – expressa a estética de um período, revelando sua outra face além da econômica: a social.

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Borboletas: símbolo de migração, mudança, sutileza e beleza.

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Tecidos esvoaçantes e estes recortes no tecido que geram ilusão e sensação de movimento

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Modelagens confortáveis, transparências evidenciando partes do corpo e tecidos que “aumentam” a ideia de movimento.

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Transparências, corpos em evidência e tecidos, por vezes tecnológicos, que aumentam a sensação de movimento e rapidez.

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Tênis trazendo a versatilidade e ar jovial, conforto nas modelagens e tecidos que remetem a movimento

 

 

 

 

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3 opiniões sobre “Alta Costura Verão 14/15: movimento, juventude e corpo

  1. Eu adorei o desfile cheio de borboletas brancas na passarela (não lembro agora o nome da grife) e gostei também do da Versace. Achei muito bonito o desenho das roupas, geométricos e tal, além do capuz. As fotos que tenho visto, dos detalhes, dos rostos das modelos, emoldurados pelos tecidos, são fantásticas. Mas não entrei muito no ritmo dessa vivacidade e dessa juventude aí que tá agora hhahaha… eu gosto de uma alta costura mais séria e posuda mesmo. Eu vi que todo mundo ficou no maior frisson com a Dita de borboleta, mas eu achei too much. Prefiro alta costura metida e séria mesmo, nesse branco longo e dourado, mesmo que tenha essas borboletinhas salientes, eu me concentro na roupa e bora hahaha… então nem me incomoda tanto assim os tênis porque, no fim das contas, nem da roupa eu gostei 😛 vai ver é porque eles tão pensando na primavera? Não sei.

    FIERCEKRIEG

  2. Eu adorei os desfiles. Essa última temporada me fez embarcar no mundo dos sonhos. Aqueles de criança onde hora queremos ser princesas, hora queremos ser diferentes e hora queremos ser modernas, futuristas ou mesmo surreais.
    Fazia um bom tempo que não me supreendia com a alta costura da forma que esta coleção me fez sentir.
    Adorei o post.
    Beijos Ingrid.

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