No ateliê Dior, Haute Couture Spring-Summer 2014

A semana de Moda de Paris já está acontecendo (quem quiser ver o line-up clica aqui), mas eu ainda estou na semana de Haute Couture. Ainda me pego olhando de perto essas fotos e admirando o trabalho lindo e artesanal de todo o processo da Alta Costura. Tenho mãe artesã; cresci a vendo bordar, fazer crochet, costurar e pintar manualmente toalhas e algumas peças de roupa. Sei de perto o trabalho e desgaste de uma artesã como minha mãe, e para mim, ainda assim, é inatingível o grau de paciência e dedicação das pessoas que fazem esse trabalho nos ateliês de Alta Costura.

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Gosto dessa atitude da Dior; gosto dos detalhes, do cuidado das fotos, da sensação de proximidade e humanização de um processo que hoje temos a falsa ideia de que é em grande parte mecânico e de esquema fordista. Observei os comentários de espanto ao verem a delicadeza dos trabalhos, e pensei no quanto alguns esquecerem-se de que no começo de tudo, eram assim que as roupas, hoje tão descartáveis para alguns, eram feitas. Com paciência, carinho, respeito pela feitura, conhecimento de tecido, caimento, corte, medidas e pessoas. As roupas são feitas por pessoas e para pessoas.

Pode parecer redundante, bobo, ou vocês podem pensar “Ah, mas é tudo marketing da Dior para valorizar o ‘feito a mão’!”. Sim, é, mas por quê não valorizar? Sou aluna de um curso de corte e costura, passo 4 horas costurando, e digo a vocês, as vezes todo esse tempo só me rende um molde feito e uma parte da roupa cortada. Quatro horas para ainda iniciar o processo e quando você conversa com uma aqui e outra ali percebe o quanto elas já ouviram que o serviço estava “muito caro” ao cobrar R$60,00 para fazer uma saia sob medida. Ouvem dos clientes que “preferem comprar pronto” e que pelo mesmo preço “compram algo mais elaborado numa fast fashion”.  Esquecem em instantes que existe um ser humano que se debruça sobre a peça e a executa para você vestir, que alguém recebeu muito pouco para aquela peça ser tão barata e que máquinas nem certificados cortam nem fecham roupas sozinhas; um lema entre as costureiras.

Juro que não consigo pensar numa roupa como uma roupa somente. Sem hipervalorização ou hiprocrisia de que “roupa é fundamental”; apenas não consigo pegar num cabide na loja e não pensar por quantas mãos aquela roupa passou e quanto trabalho alguém teve para fazer aquela costura a mão do forro do blazer. Não consigo me desfazer de peças que simplesmente fizeram parte de momentos marcantes da minha vida ou olhar para uma roupa num brechó e não realizar por quanto ela “viveu”. Todos os objetos, cores, palavras, tudo tem significados e valores que nós atribuímos, e a Dior com essas fotos trouxe à tona todo o significado que as roupas têm; pelo menos para algumas poucas pessoas como eu. 

Para ver o álbum completo clique aqui

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3 opiniões sobre “No ateliê Dior, Haute Couture Spring-Summer 2014

  1. Falamos hoje na faculdade sobre como estipular o valor de uma peça.
    Quando mando costurar minhas peças, não consigo aceitar quando a costureira pede 15,20 reais. Não sei se é porque não tenho muito jeito para as maquinas de costura muito menos para costura a mão que valorizo e admiro tanto quem tem as famosas mãos de fada para um trabalho tão lindo. Todo o meu carinho por elas ♥

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