As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

Processed with VSCOcam with t1 preset Depois de muito ouvir falar sobre o filme (que ainda não vi) e sobre esse livro de Jeffrey Eugenides, estreei meu Kindle com “As Virgens Suicidas”. Achei uma graça essas capas que o Kindle reproduz e o adicionei àquela minha lista que postei aqui.

Processed with VSCOcam with t1 preset

Um dos clássicos da literatura contemporânea americana, “As Virgens Suicidas” fala de 5 irmãs que cometem suicídio na cidade de Detroit nos anos 70.  Os narradores são amigos “vizinhos” das irmãs e escrevem o livro com o objetivo de contar a história dessas irmãs que marcaram suas adolescências com a realidade de que viver pode ser muito difícil, por vezes até, insuportável.

Li o livro, ou melhor, devorei, porém não consigo chegar a conclusão se gostei ou não. Era interessante demais perceber o ambiente através do desejo de viver das irmãs, e, ao mesmo tempo, esse desejo sendo sufocado pela mãe. Ao meu olhar, mesmo com todas sendo suicidas, a mãe era a verdadeira figura depressiva do enredo, ela geria o sufocamento, o medo do sexo, do rock, do álcool, das festas, não saía, não vivia nem deixava viver. Ela não se abalava com os sinais de juventude e puberdade das meninas, os excessos sentimentais da adolescência, nem com as mortes de suas filhas; era o velho discurso norte americano: “se fingir que nada aconteceu, passará mais rápido”.

Muitos disseram que a leitura era difícil, tensa, angustiante, mas não senti tanto. Talvez seja por minha personalidade mais melancólica, mas para aqueles que gostam de leituras mais doces e menos apreensivas esse livro não é uma dessas  opções.

Difíceis foram as muitas descrições do ambiente e pouco das descrições psicológicas; prefiro imaginar todo o ambiente, mas ter dezenas de palavras sobre como os personagens se comportam e pensam. Por mais que os narradores sejam observadores (meninos que foram vizinhos das irmãs Lisbon e parceiros de baile), a história trata de personagens suicidas e acredito que seria instigante ter mais descrições das meninas e seus trejeitos.

Escrevendo esse texto acabo me decidindo que gosto do livro. Mesmo não sendo de minha preferência essa pouca descrição psicológica – até mesmo dos rapazes narradores – a obra é uma visão bastante interessante dos homens sobre o mistério que somos nós, mulheres. Os primeiros contatos que os “amigos vizinhos” tem com o universo feminino – mais profundo e enigmático – são com essas meninas suicidas. O desejo de saber como é o quarto de uma garota, o cheiro que ela possui, notar as cores das roupas, a textura do cabelo e o toque da pele, ouvir o que ela ouve, os posteres que tem na parede e o que preenche seus diários é dividido com a angústia de não conseguirem salvá-las do próprio destino, sem ao menos entender suas razões.

Além desse ponto, o autor faz como uma crítica disfarçada ao modo de viver americano: desejoso em saber sobre a vida do vizinho, mas pouco corajoso em efetivamente ajudar; aparência de uma família perfeita, mas nos interiores das casas é que tudo se revela e uma mídia exploratória que pretende presunçosamente descobrir sobre a vida de todos em poucos dias e resumir vidas  inteiras em minutos de reportagem.

A história é provocadora pelos aspectos suaves do ambiente, mas ao mesmo tempo perturbadora por uma adolescência sufocada, melancólica e misteriosa. Um prato cheio para uma cineasta como Sofia Coppola eternizar a Kirsten Dunst como uma das irmãs Lisbon numa adaptação do livro para o cinema.

Anúncios

9 opiniões sobre “As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

  1. Sempre tive vontade de ler esse livro, fico feliz que você leu primeiro do que eu.

    Assim em um futuro próximo podemos conversar sobre ele.

    O Jeffrey é um escritor recluso, escreveu pouca coisa, mas se sabe que ele colocou muito da sua vivência neste livro, ele morou no suburbio de Detroit, o que dá um tom mais intimista e “real” para o livro.

    Deve ser legal ter a visão dos garotos e pensar que “Ele” possa ter vivido tudo isso.

    Vou procurar por aqui…

    Bjos….e mais Bjos Dona Canela

  2. Pingback: Livros para ler em 2014 | Gosto de Canela

  3. Quando me viam lendo esse livro no colégio/no ônibus/por aí sempre me indagavam: ”O QUÃO EMO VOCÊ É PRA LER UM LIVRO DESSE?” Besta, né? HAHAHA. Eu gostei. É diferente, o apelo psicológico é sutil e inteligente, sei lá, gostei mesmo.

  4. Ainda não li o livro mas adoro o filme. E gente, a melhor coisa que fiz esse ano foi comprar um Kobo (e-reader). Como é bom ler nesses gadgets! E você, tá curtindo o Kindle?

  5. Imagino que o livro acabe sendo um pouco sobre os meninos também, sobre essa visão masculina adolescente… Não li o livro, mas acho o filme super poético, com uma fotografia linda.

  6. Eu nunca li o livro, mas já assisti ao filme. Mas faz taaaanto tempo que não lembro muito bem dos detalhes, só lembro que eu gostei, acho que é uma boa hora pra assistir novamente hehe

    Ahh que querida ❤ mas meu cabelo ainda não está como eu quero, vai demorar um bocadinho ainda pra ficar inteiro natural. Eu tinha escurecido a parte ruiva, mas já desbotou e tá acobreado de novo, mas não como estava, mas acho que vou deixar assim e ir cortando, Chega de química! haha
    :*

  7. Pingback: Gosto de Canela

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: