Fragmentos e colagens

A colagem como um procedimento existe desde a Antiguidade e por muitos séculos a colagem foi utilizada somente por crianças, gráficos e para completar álbuns de fotografia.

Somente no Séc.XX, com Braque e Picasso, a colagem se desenvolve dentro do Cubismo. Ao abrigar elementos da “realidade” na tela – jornais, fotografias, pedaços de papel, madeira e até mesmo objetos inteiros – a pintura passa a ser apenas uma construção sobre um suporte, reconfigurando os limites entre a pintura e escultura.

Cubismo foi um movimento dividido mais precisamente em dois momentos: o Analítico e o Sintético;  o primeiro possuía uma postura de desfacelar a figura, discriminando o plano, tornando-as com aparências cúbicas e mais aproximada de métodos geométricos de Descartes, e o segundo, traz a colagem que interrompe esse processo analítico e leva à uma reflexão maior da materialidade da obra e sua perspectiva.

Colagens de Picasso

O interessante de tudo isso é descobrir que para chegar ao rompimento a partir da colagem foi preciso Manet criar quadros com imagens bastante contrastantes entre si (como burgueses conversando e uma mulher nua deitada na relva), Cézanne substituir a linha pela cor, Gauguin confrontar a própria luz e as tonalidades das cores no objeto e Van Gogh transformar as cores, preencher espaços por si só e “destronar” o desenho no estudo das Artes. Os dois últimos, principalmente, fizeram suas obras irem além, rejeitaram a naturalidade e criaram uma nova legitimidade para a pintura – a pintura é somente pigmento sobre tela.

Voltando para a colagem (que por sinal eu sou apaixonada!), ao Picasso e Braque incluirem novos materiais nas pinturas e desenhos, vemos uma Arte que se depara com um novo objeto, que não é nem somente pintura, nem somente escultura, desafia a dimensionalidade e coloca em evidência uma visão fragmentada do mundo, do próprio raciocínio e do homem.

collagem

Fragmento: essa é a palavra que rege todo o movimento cubista e mais ainda a colagem, sendo essa última uma grande influência para os movimentos artísticos futuros, principalmente por seus princípios de composição e pelo fato de ter levado aos quadros e instituições, elementos “do mundo real”.

A colagem, com seus recortes, nos fazem ter uma ideia “partida” da obra, ao invés do todo – como a pintura anterior a esse período -, vemos cada parte da colagem como única, intuitiva e que podem, ou não, dialogar entre si. Permite que cada parte expresse algo (ou não), e nos faz raciocinar fragmentadamente quando vemos a folha de papel ou tela.

Por si só a colagem evidência uma transformação da realidade, se opõe ao aspecto contemplativo e por vezes, reflexivos (derivado de reflexo) da Arte; é uma intervenção no processo artístico e está muito além da representação do mundo e dos, mais atuais, materiais para “murais de inspiração”.

PS.: Eu sou muito apaixonada por colagem, então, gente, eu nunca iria conseguir só colocar colagens aqui e não falar nada! Beijos!<3

Anúncios

5 opiniões sobre “Fragmentos e colagens

  1. Adorei o post, você escreveu muito e escreveu bem.
    Admito que não sou um fã de colagem, mas eu gosto muito do cubismo, uma das grandes revoluções da arte.
    Eu adoraria uma colagem sua!
    Bjos e mais bjos

  2. Amei amei o post! Tenho sido uma colecionadora digital de colagens, se é que posso dizer isso haha, e estava planejando fazer um post sobre isso também. Mas eu não sabia sobre nada disso que vc escreveu e me deu outra visão sobre a coisa. Acho que agora gosto ainda mais!
    Beijo!

  3. Pingback: Gosto de Canela

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: