Sobre espelhos e medidas

Nicole Scherzinger revela sua batalha contra a bulimia nervosa”. Fiquei lendo e relendo essa frase tentando acreditar que alguém, que um dia eu quis tanto ter um corpo idêntico, sofria de algo tão sério para conseguir. Não acreditando muito li a nota inteira ; quis “ler para crer”. A cantora revelou que no auge do The PussyCat Dolls (grupo feminino em que ela era a principal vocalista) ela já sofria de bulimia nervosa; declarou se sentir sozinha como num ciclo – já que o transtorno faz com que você se isole dos outros e por estar isolado afunda ainda mais na pouca aceitação -, a doença era como um vício, que ela sabia o mal que fazia, que não era certo, mas se sentia envergonhada por ter esse tipo de atitude. O grupo estava no auge e ela se sentia miserável por dentro, chegou a ser encontrada pelo empresário desacordada num hotel na França e que só decidiu parar quando notou sua voz falhando nos palcos, o grupo desmanchado e que desperdiçou sua vida.

Fiquei lendo a matéria e tendo uma enxurrada de pensamentos que hoje pela manhã tomando café eu ainda pensava nisso. Que alguém que eu sempre quis ser como a incrível Alanis Morissette já teve bulimia e anorexia na adolescência, assim que começou a cantar, e em 2011 quando descobri isso foi uma surpresa e tanto porque nunca imaginei alguém como ela, com tanta força e expressão, pudesse cair nessas armadilhas. E agora, a Nicole Scherzinger, uma cantora não muito importante para mim “musicalmente”, mas que eu olhava na TV e me olhava no espelho pensando: “porquê raios eu não tenho um abdomem como o dela? porquê de todos os jeitos eu fui nascer gorda?”, se feria para alcançar e se sentia tão miserável como eu.

Escrevendo esse texto eu começo a decidir se escrevo ou não que eu todos os dias me vejo quase caindo numa armadilha dessa “sociedade do sonho“, como fala Everardo Rocha no seu livro. Essa sociedade “alheia” que existe nas campanhas publicitárias – principalmente – e que nos trazem um mundo gentil, em que todo mundo sabe seu lugar e sorri passando manteiga no pão pela manhã. Uma sociedade em que a mulher flutua andando pelas ruas em seu período menstrual e com celebridades que sempre estão bem, que toda dieta “seca barriga” dá certo, que o casamento nunca vai mal e nenhum filho chora de madrugada. Uma sociedade que existe dentro dessas propagandas que se parece com a nossa, mas não passa de um reflexo falso de tudo aquilo que gostaríamos de ser, mas chegamos nenhum um pouco perto.

Tenho 1,63, 79 kg, 117 cm de quadril. E no começo desse ano uma médica com umas poucas multiplicações e divisões, simples assim, ela disse a frase maldita: “é Ingrid, você tem obesidade grau 1”. A lágrima caiu na hora, o nó na garganta veio e eu mal conseguia perguntar a ela “e agora?”. Nunca pensei que fosse falar isso pra alguém que não fosse da minha família, nem muito menos aqui. Minhas medidas, meu peso, meu diagnóstico sempre foram assuntos intocados. Nunca falo sério sobre isso. Até ontem.

Só de escrever esse parágrafo anterior eu já estou segurando as lágrimas tamanha minha insegurança e receio de falar sobre isso. Sobre simples números e proporções malucas que não querem dizer absolutamente nada, além de um tal diagnóstico em que a médica não soube me explicar porque eu tenho esse peso se passo meses sem comer junk food, quase não como comida congelada, refrigerante é quase que de dois em dois meses. Aliás, o que ela só soube dizer foi: “você tem facilidade para engordar, se você come x, vai ter que comer -2x, só fechando a boca mesmo”. Fui a nutricionista e o que ela me diz “não tenho muito o que dizer, para emagrecer é só atividade física e fecha a boca.”. 

Fechar a boca? Em que planeta eu vivo que “fechar a boca” se tornou prescrição médica? Eu não consigo fechar a boca porque eu adoro comer em família, uma das coisas que mais amo na vida é almoçar e conversar com a melhor companhia que existe, tomar um café da manhã com uma conversa boa na mesa; é muito mais do que comer. Nisso tudo, em meio essa confusão, a vergonha de agora ser obesa oficial, a vergonha de ter vergonha de ser diagnosticada uma obesa, voltei com o remorso de comer assim que saí da consulta.O lanche que fiz a tarde já foi um motivo para me olhar no espelho do banheiro com arrependimento e pensar em tirar o que comi.

 Nunca cheguei a miar como chamam, mas o pensamento tá sempre ali; desde que comecei a encontrar dificuldades para achar calças do meu tamanho, a olhar no espelho e só ver poros no meu rosto, a não achar bonito o tamanho do meu quadril, a pensar que eu não deveria usar shorts porque meu quadril era largo, não poderia usar vestidos longos, saias longas, estampas nas calças, calças claras…com tudo isso eu comecei a ter remorso de comer,e por consequência, continuar privada de muitas coisas porque eu era gorda.

Fiquei quase 7 anos sem ir a praia porque tinha vergonha do meu corpo – já reparou quantas vezes eu disse vergonha? – e eu só tinha calças pretas no meu guarda roupa, e poucas porque a maioria das marcas trabalham até o 42, no máximo 44, e para elas eu sou 46, 48 e até 50 (!!!).  No fundo eu melhorei muito de uns anos para cá.

Esse ano começou comigo indo a praia, e depois de ler esse livro decidi desencanar e fazer uma saia longa xadrez vermelha para mim (diziam que eu não poderia usar), descobri com a ajuda dele que eu posso ser bonita sem precisar de todos esses números e multiplicações, descobri no blog da Nina que desejar não ter poros é um sintoma de anorexia nervosa e no Não Sou Exposição que profissionais de nutrição podem te colocar em ciladas maiores ainda se você não ficar atento.

Hoje, uso shorts, meia calça, tenho calças coloridas, uso saias longas e estampadas, mas ainda é difícil usar roupas justas ou blusas acima da linha do quadril e é muito difícil ainda enfrentar a própria mente depois de comer.

Vocês podem pensar que eu passei por cima de tudo isso, que eu estou bem comigo e por isso estou escrevendo. Porque estou “curada”, mas longe disso, as mais de mil palavras são para ajudar a dar esse passo a frente e me sentir menos presa e envergonhada. Entretanto, estou escrevendo esse final de texto com lágrimas no rosto ouvindo Hand in My Pocket no trecho:

“I’m sad but I’m laughing
I’m brave but I’m chicken shit
I’m sick but I’m pretty baby”

 e pensando que ela, Alanis, linda no vídeo em 2012 , tanto quanto a Nicole na capa da Cosmopolitan, foram vítimas da “sociedade do sonhocomo eu. E que amanhã vou ter que enfrentar (e vencer) a tarefa difícil que na verdade é muito simples: comer, me olhar no espelho e não me arrepender depois.

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23 opiniões sobre “Sobre espelhos e medidas

  1. Não tenho nem palavras para descrever a coragem que você teve em fazer esse post.
    Vivemos em uma sociedade extremamente cruel enquanto a modelos e tipos ideias a cada dia vejo mais pessoas sofrendo com isso, e não é só a questão do peso e a questão da falsa felicidade que a internet prega onde todos são felizes e não existe nenhum Drama.

    Sei que vc está melhor, Mas estou sempre aqui pra te apoiar

    Bjos e mais bjos

  2. Terminei de ler com os olhos marejados também.. por você, por mim, e pela existência de uma sociedade maluca que é essa em que a gente vive.
    Antes de tudo, só olha essa foto aqui: https://gostodecanela.files.wordpress.com/2013/02/img_1125-1024×768.jpg?w=800
    Você é linda de todas as formas! 🙂

    Sempre penso também que acho essas cobranças absurdas. Absurdaaaaaas de verdade. Aparência e padrões de beleza são escolhidos de forma absolutamente arbitrária! E a gente nasce com uma aparência pra depois pessoas colocarem na nossa cabeça que nós somos os errados por termos aquela aparência. Se tenho nariz grande, então eu tenho que ter vergonha e sentir culpa (!) porque não me encaixo nos padrões?? Se tenho seios de x ou y formato, se tenho barriga assim ou assado, se meu segundo dedo do pé é maior que o primeiro, se sou estrábica… tenho sempre que esconder, disfarçar, não tocar no assunto. Por questões arbitrárias! E chega a ser tão cruel que importa até com quem você anda, quem você namora… se uma pessoa dentro do padrão de beleza namora outra que estão muito longe, as pessoas julgam: “aaaah.. mas é muita areia pro caminhãozinho…”. Como se aparência dissesse alguma coisa sobre quem a pessoa é.

    O que me entristece é a nutricionista querer falar pra você sobre estética. Pra mim, foi uma descoberta quando minha mãe contou que foi a um médico, há muito tempo, e chegou a dizer que queria emagrecer. Ele passou exames pra ela e disse: “olha… você está completamente saudável. Se quiser emagrecer vai ser por uma questão apenas estética e se você tomar essa decisão, vai ter que seguir um plano alimentar um pouco mais restrito, se acostumar com menores quantidades. Você tem que avaliar se vale a pena, se você quer mesmo isso”. Na época, eu nem tinha nascido, mas se eu pudesse, voltava lá e dava um abraço nele!
    E bom… sempre que penso nisso sobre emagrecer ou não, sobre o que quero fazer com a aparência do meu corpo, eu me lembro disso que minha mãe contou. E me ajuda a tomar uma decisão menos movida apenas por paranoias e desejos de perfeição.

    Enfim… esse assunto mexe muito comigo. Fico indignada, sofro, sinto essas pressões também para me encaixar. Mas, estou sempre lutando contra elas. E vejo que você também está mais liberta. Mesmo que seja doído, não passa despercebido. Você sabe que não tem nada de errado com você, com seu corpo. Não sabe?

    Estamos juntas nessa! 🙂

  3. eu sofri muito e conheço mais outras dúzias de garotas que sofrem, umas para emagrecerem, outras porque são magras demais, enfim, existe um padrão maluco e sem sentido e muitas mulheres sofrem por causa dele.
    Já fiz todo o tipo de dieta, e sofria muito em subir na balança, hoje percebo como tudo isso me fez mal, e o pior, quando fazia essas dietas tinha o manequim menor do que uso hoje, ou seja, algo totalmente sem sentido e desnecessário.
    Hoje tento viver bem no corpo em que hábito, fujo dos comentários infelizes (sim, existem muitos) e tento me aceitar do jeito que sou.
    Outro grande problema é que existe um discurso sobre saúde, que na verdade não passa de pura gordofobia, ser saudável é completamente diferente que possui um corpo dentro de qualquer padrão pré-estabelecido.
    parabéns pelo texto! abraços 🙂

  4. Ingrid, esse texto é muito doloroso. Se me dói lê-lo, imagino então como foi para você escrevê-lo.
    A sociedade criou uma casca de perfeição utópica, inatingível. Como diz a modelo e escritora Micheli Provensi, “o corpo de uma modelo é alcançado por loteria genética”. E ela está certa. A maioria das modelos tem “sorte” em serem magras, porque a genética delas é essa. E, sendo algo “raro” numa sociedade que consome tudo, isso é posto no pedestal e imposto aos demais.
    Eu tive anorexia não-nervosa (caracterizada pela ausência de apetite e não por distorção corporal, como é a anorexia nervosa) e me sensibilizei muito pelos casos de anorexia nervosa e em como isso se reflete no contexto de muita gente. A partir do momento em que uma pessoa “x” dita a barriga negativa como regra – e meta – já dá para ter um sinal de como a sociedade é doente, doentia e confunde, atualmente, distorção corporal e busca pela magreza com saúde. Ser saudável não é ter o corpo magro, é aceitar o seu tipo físico e visar um bem-estar independente do corpo que tenhamos.
    E sim, infelizmente, há profissionais que permitem que a estética vazia fale mais alto. Como assim “feche a boca”? Isso é semelhante a dizer “engula o choro” para uma criança pequena. É desesperador, sabe? Outro dia eu conversava com a blogueira do Não Sou Exposição sobre o fato de que nutricionista precisa ter uma formação ética e psicológica. A pessoa gorda lida com inúmeros traumas. Não é simplesmente um “feche a boca” que resolve a situação. Assim como não é dizendo “coma” para uma anoréxica que ela resolverá aquilo. Distúrbios alimentares são doenças complexas e vão muito além do diagnóstico simples. Eu, que não sou formada na área, sei de sobra acerca disso.
    E quem mais deveria nos ajudar, parece não se importar. Te manda fechar a boca, na mesma proporção em que fecham a mente e os olhos.
    De fato, seu texto é corajoso e uma referência, enquanto depoimento.
    Abraços.

  5. Sabe Ingrid, como todas as meninas falaram, seu texto foi muito doloroso, profundo e, principalmente, corajoso! Eu lembro quantas e quantas vezes falei que queria o corpo do Nicole. Eu sempre fui magra, mas teve um tempo que engordei muito, ainda não me recuperei 100%, mas a neurose não me abandonou nunca mais. Tô sempre de olho na balança e se engordo um quilo, já deixo de comer algo.
    É muito difícil viver nessa cobrança e, muitas vezes, ser absurdamente cobrada, mesmo que inocentemente. Quantas e quantas vezes minha avó olhou pra mim e perguntou “você engordou?” quando eu estava feliz por ter perdido alguma coisa.
    Você tá de parabéns pela reflexão! Muita força pra você e para todos nós de conseguir superar essas imposições da sociedade!
    Beijos

  6. Ingrid, cheguei no seu texto através da fanpage do blog Girls With Style e me identifiquei tanto, mas tanto, que não consegui parar de chorar. Sei pelo que você passou. Passei e ainda passo por tudo isso e sei como é difícil, como é doloroso. Admiro muito a sua coragem de escrever esse texto. Como não sou muito boa com palavras, só tenho uma coisa a dizer: Obrigada. Não te conheço mas te desejo muita sorte, luz e que você passe definitivamente por todos esses obstáculos e se aceite como a mulher linda e incrível que você me parece ser.

    Um beijo enorme.

  7. Você é incrível! Primeiro pela coragem, assim digamos, de publicar nessa terra de ninguém um de seus medos/marcas mais profundas. Segundo, por contestar o mundo mesmo quando as fontes aparentam ser tão seguras como os médicos e nem tão seguras assim como a mídia. Terceiro por compartilhar sua história e fazer com que tantas meninas percebam o quanto elas são lindas e não, elas não precisam se encaixar nos padrões que sei lá quem inventou. Continue no caminho da auto-aceitação e se ache linda sempre porque você é! Nós somos!

    Um beijo!

    Cheguei na sua publicação através das meninas do GWS que também são incríveis!

  8. Ingrid, senti tua dor daqui lendo esse teu post, nao tinha ideia de que você passava por isso. Eu te acho uma pessoa tão linda por dentro e por fora (mesmo te conhecendo pouco). A nossa sociedade é uma coisa tão rídicula, tão maluca que não dá pra colocar em palavras. Todos esses padrões que devemos seguir, acho tão triste ver meninas se enfiando em dietas malucas só pra estar dentro dos padrões, já que ser bonita é ser magra e isso é ridículo demais.
    Eu não vou dizer que passo longe e que não sou alvo dessa sociedade maluca em que vivemos. O meu caso é o oposto, já frequentei nutricionista porque sempre fui muito magra, todo mundo me olhava e dizia que eu era doente, que devia engordar mais, porque padrão de beleza no Brasil é aquela mulher ‘magra’, mas cheia de curvas, sabe? E eu sempre tive esse complexo de inferioridade por ser pequena e magra, tomava até remedios pra engordar. Mas eu comecei a não ligar pra isso quando cai na real, sempre nos meus testes de sangue nunca dava anemia ou algo de errado com minha saúde por conta do meu peso baixo, e isso, é o que realmente importa, nossa saúde… e a gente se aceitar, sem ligar pros outros, ser feliz e estar bem com nós mesmos sem olhar o que os padrões dizem ser certo ou errado, feio ou bonito.
    Eu tenho certeza que não é só eu que te acha linda, assim exatamente do jeito que você é. Eu espero do fundo do meu coração que esses problema chato vai desaparecer da tua vida, que tu vai se olhar no espelho e agradecer por ser uma pessoa saudável, porque é isso que o que você tem que se preocupar, não com a estética e sim se tua saúde está ok, não importa que peso você tenha.

    Um beijo enorme, Ingrid sua linda!!!

  9. Ingrid do céu!!! Vem cá ganhar um abraço!! Sei que você deve ter sofrido e sofre muito, mas com esse texto vi que é sábia. Que ótimo!! Já vi várias fotos suas, você é linda!! Muito linda! O corpo perfeito é supervalorizado na mídia, porque nela o backstage não interessa. Para nós sim, afinal é a nossa vida, nosso bem estar e felicidade. A mídia não sabe de nada. Não conhece os pequenos prazeres tipo comer pão de queijo quentinho e macarrão com bacon. Desses só nós sabemos! Eu também tô acima do peso, com o cabelo danificado, com duas, três, 20 texturas que não se ajeitam de jeito nenhum. nem sempre gosto do que vejo no espelho. Mas ainda bem que tem sempre gente pra nós ajudar a reconhecer nossa própria beleza. Nossos olhos são viciados e críticos, então acredite nos meus e nos de todo mundo que diz que você é maravilhosa do jeito que tá, porque é verdade!

    Beijos e seja feliz!

  10. Eu me emocionei com esse texto… tantas pessoas que admiramos e que tem problemas tão mais graves que os nossos :/
    Nem sei o que comentar, apenas que você é linda sim, mesmo que você não se ache, eu acho!

    Beijos

  11. Ai meu deus, vamos lá.. por partes…. tá preparada?! Isso vai ser uma bíblia!

    Primeiro vou falar um pouco de mim, eu estou passando pelo mesmo processo. Sempre fui gordinha, até voltar de uma temporada fora, com 80kg. Desses 80kg (para 1,65m) perdi 20kg em um período de 2 anos. Corria 8k por dia (e amava!) me alimentava bem (e ainda me alimento!) e o momento de ir morar com o namorado veio naturalmente, depois de 6 anos de relação. Resultado: engordei 9kg. Estou feliz com isso?! Não! Sou mais feliz do que quando estava sem esses 9kg?! COM CERTEZA.

    Nesses últimos meses, em que me vi engordando um pouquinho a cada mês, eu me perguntava o que valia mais a pena pra mim… Quando eu estava magra não bebida, não comia fora com os amigos, não comia pizza no final de semana. Quando tempo isso ia durar? Eu amo fazer atividade física (não sei se você gosta e/ou faz, mas o dia que você achar alguma coisa que ame fazer, sua vida vai mudar) e isso me ajudou a não me perder de vez.

    Estou contando tudo isso porque acredito muito em uma coisa: equilíbrio. Amo a vida e quero viver o máximo que eu conseguir, então tento comer coisas pouco industrializadas/processadas e fazer atividades físicas que me deem essa sensação de que eu tenho controle da minha vida, coisas que eu gosto de fazer… acho isso muito importante. Aliás, não funciono de outra forma! Pra mim, se eu não tenho paixão, eu não vou fazer. Não dá, não vai, não rola! Mais do que biotipo, por mais que ele exista, nosso estilo de vida dita muito! Pessoas com genética e metabolismos não muito favorecidos, como nós, temos que nos esforçar 10 mil vezes mais (e comer 10 mil vezes menos) pra sermos magras. Não-vale-a-pena! O que vale a pena é a gente buscar um estilo de vida em que nos torne ativos e saudáveis pra aproveitar esses momentos que tanto amamos sem culpa (como tomar o café da manhã com alguém especial, por exemplo). Você buscando esse estilo de vida, a perda de peso pode vir como uma consequência, e não como um objetivo.

    Outra coisa: auto-confiança. Não preciso falar que você é bonita, porque cada pessoa fofa nos comentários já falou isso pelo menos duas vezes (mas, sim, você é linda. :D) e o mínimo que te conheço me faz te ver como uma pessoa com personalidade e querida. Agora, para pra pensar: as mulheres que você admira na vida, você o faz porque elas são… magras?! Normalmente, não. Elas podem ser magras, mas nunca é só isso. Tenho visto muitos blogs (depois te passo os links) de mulheres influentes na internet, bonitas, que se alimentam bem, estilosas, tem blog sobre moda, culinária, política e…. são gordas. Várias são obesas. A diferença é que elas se auto-afirmam, se amam, se cuidam…. Não digo isso porque incentivo a obesidade, mas eu incentivo o amor próprio, a saúde, o equilíbrio e a liberdade de expressão, de você poder ser quem é da maneira que você é. Tudo isso é bem mais fácil na teoria do que na prática e isso é um exercício diário, mas vale a pena essas reflexões. Passo por isso na dança. É um universo cruel. Você tem que ser alinhada, encaixada, magra pra poder usar collant, ter equilíbrio. Já sofri muito por não estar nesses padrões. Hoje eu tento focar no meu talento natural (porque eu sei que um pouco dele eu tenho) e trabalhar na minha auto afirmação.. acredite, é o mais difícil. É a tal da vergonha….

    Bem, já falei demais. Podia dobrar o tamanho desse comentário, hahaha, mas depois você me procura se quiser conversar mais sobre isso. Eu tenho lutas internas diárias sobre isso, e quando esses momentos chegam a pergunta que eu me faço é: “eu quero ser uma pessoa forte e bem resolvida com o meu corpo, ter uma vida saudável com meus amigos e família…. ou eu quero ser aquelas mulheres neuróticas por dieta?” A resposta parece clara pra mim.

    Beijos, beijos.

  12. Ingrid, esse seu post me deixou bem desconcertada (por falta de uma palavra que defina melhor o meu sentimento de surpresa e perplexidade). Eu não te conheço pessoalmente, mas para mim você sempre foi um exemplo de pessoa segura de si, que passava longe desses nossos problemas “mundanos” de adequação numa sociedade dos sonhos… Que coragem, que coisa mais linda você ter escrito esse post Ingrid. Estou emocionada, de verdade.

    Me entristece profundamente essa associação da comida com algo ruim. Todas as minhas maiores lembranças envolvem comida, família reunida em volta da mesa… Eu presenteio comida, veja só… Comida pra mim é amor e ver ela associada a aspectos ruins das nossas vidas me deixa mal. Não quero viver num mundo em que comer significa sofrer. Ainda bem que a gente pode (pelo menos tentar) criar o nosso próprio mundo, não é?

    E, sim, você é linda, por dentro, por fora, pelos lados, de cabeça pra baixo… ❤

  13. Ingrid, estou com os olhos marejados aqui, seu post me tocou demais. Eu já fui obesa na infância, não entendia muita coisa e nem ligava muito (até porque eu era criança e ninguém me falava isso diretamente), mas mesmo assim já sentia um pouco do peso dessa pressão da sociedade. Não posso dizer que sei como você se sente, porque não sei, mas estou aqui para dizer, de verdade, que você é linda! Em todos os aspectos possíveis, tanto exteriormente quando interiormente. Não acompanho o seu blog há muito tempo, mas o tempo que eu acompanhei, já me deixei cativar. Acho difícil não te admirar, sabe? E não é mero puxa-saquismo por causa do post não, é só o que eu verdadeiramente acho de ti. Não só eu, mas como pude perceber, muitas pessoas aqui nos comentários também e, tenho certeza, muitas pessoas fora daqui também.
    Parabéns pela a coragem de escrever tão abertamente algo que te incomoda muito, isso é tarefa para corajosos. Se algo não te faz bem, se você não está feliz assim, o primeiro passo é expor isso e você o fez. Eu sei o quanto é difícil fechar os olhos para essa pressão que nos impõem, de que não podemos ter isso, não podemos fazer isso, nos vestir assim, etc, etc, etc. Mas se nos sentimos bem, nada deveria nos impedir de fazer. Vista todas as roupas que tiver vontade, aproveite, se admire, sorria para o espelho, sabe? Veja o quanto você é linda e o quanto de qualidades que você possui. E não deixe que ninguém, NINGUÉM, te diga o contrário, que te faça dar mais atenção à essa maldita pressão que existe. Tire um tempo para você, para se curtir, do jeitinho que você é! ❤

    E óh, é exatamente esse jeitinho que a gente gosta, Ingrid!
    Não se deixe levar, não por essa maldita pressão, nós sabemos que você é melhor do que tudo isso.

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  15. Ingrid, é a primeira vez que visito seu blog, acho que não vai ser a ultima.
    Primeiro queria dizer que o seu post foi muito comovente, parabéns pela coragem de se expôr de maneira tão autêntica e sensivel. Eu estava comentando ontem com outra blogueira que tenho muita dificuldade em falar quando as coisas não vão bem, tanto na vida real como na “virtual”. Eu acho que nunca poderia escrever o que vc escreveu aqui.
    Mas é você que ta certa, porque escrevendo posts assim, vc permite com que dezenas de pessoas venham aqui lhe dar força e não deixem com que vc caia nas armadilhas dessa sociedade em que vivemos. Todas nos, até as mais fortes, as mais desencanadas, as mais militantes, todas passamos por momentos de insegurança em que pensamos que estamos erradas, que temos mesmo é que “tomar vergonha na cara” e fechar a boca / nos vestir melhor / fazer mais exercicio / fazer a unha / etc e blablabla. Isso é mentira. O que temos que fazer é crescer enquanto pessoas, tentar tornar nossa vida e a de quem nos rodeia melhor.
    Então Ingrid, por favor, sempre que vc se sentir prestes a cair nessas armadilhas venha aqui e escreva, escreva muito, para que outras pessoas possam te dizer que vc é linda, sensata e corajosa, te lembrar que o mundo ja é um lugar cheio de odio e que a sua cabeça merece ficar em paz.
    Agora eu vou indo que ainda tenho um blog inteiro para visitar !
    Mil beijos ^_^

  16. Nossa, que texto emocionante! Parabéns por compartilhar algo tão complexo, íntimo e comovente! Tenho certeza que a sua história vai servir de exemplo para muitas pessoas! E parabéns por essa sua superação, é linda!

    Um grande beijo!

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