Fora de órbita – Woody Allen

No início do ano, na minha última viagem para São Paulo, terminei de ler Fora de Órbita do Woody Allen. O nome original é Mere Anarchy e vale-se de 18 contos lotados de nonsense e com altas doses de humor – alguns destes já tinham sido publicados na revista The New Yorker. Essa ilustração da capa é uma graça a parte e cada conto é iniciado por uma capa preta com seu título em fontes características do diretor-autor.

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 Desde que o vi nessa foto no Flickr há anos atrás fiquei bastante curiosa quanto ao livro, e quando soube que o Woody Allen havia começado sua carreira como escritor, fiquei mais interessada ainda. Li o livro com facilidade, é leve, você se pega rindo de verdade do tamanho das “viagens” do Woody Allen, mas sem cair na superficialidade. O livro, com bastante humor, faz ironias de tudo: da Moda aos próprios meios cinematográficos, da gastronomia às famílias que se realizam em seus filhos. Tudo é motivo para o diretor criar histórias inacreditáveis e que te fazem perceber a capacidade do Woody Allen de problematizar o mundo a sua volta, se tornar um estranho, olhar a sociedade de fora e de cimae ter a habilidade de tornar tudo isso em algo cômico e ao mesmo tempo muito pensante.

Acordei na sexta-feira e, como o universo está em expansão, levei mais tempo do que o habitual para achar o meu roupão.

Trecho retirado do conto sobre física “Fora de Órbita”

Talvez, para aqueles que prefiram textos mais “pesados”, o livro pode ser uma obra difícil de ler. Porém acredito que valha se esforçar um pouquinho e acompanhar a frequência de raciocínio do autor. É possível reconhecer Woody Allen nas páginas, imaginá-lo dizendo todos aqueles contos e ideias escatológicas em algum momento de seus filmes.

No conto Quero uma roupa que não fede nem cheira”, o personagem principal entra numa loja para comprar um simples terno, mas as invenções da Moda o incomodam, chateiam e o fazem ter opções que o amedrontam e irritam. As vendedoras o subestimam por usar “um terno normal” enquanto apresentam a ele tecidos com propriedades condutoras, um colete que esconde um “sistema de hidratação” com uma garrafa d’água e tecidos que não exalam cheiros desagradáveis como cigarro, bebidas e tecidos que não mancham. Dentro dessa confusão toda o personagem começa a discutir dizendo que não queria um contexto, só queria um terno azul, não queria que exalassem aromas para ele se sentir auto-confiante, só queria se vestir bem para uma situação importante e no meio de tudo isso ele foge, compra um terno num balcão de promoções, feito em série, e que não contem nada de pós moderno além de soltar fiapos.

Uma clara – e bastante divertida quando se lê o conto – referência às invenções tecnológicas em tecidos (desnecessárias aos olhos de Woody Allen) e nesses “novos vendedores” que ao invés de atenderem suas necessidades querem te criar contextos, sonhos e novos desejos.

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 Lendo o livro você percebe que ele introduz alguns contos com notícias reais de jornais norte-americanos, nos fazendo entrar ainda mais no senso crítico, acidez e irreverência; os contos partiram de situações atuais naquele período – como trufas brancas vendidas a milhares de libras num leilão em 2005 – , inspirando o autor a escrever uma história de mistério, buscas policiais e tortura para descobrirem onde foram parar trufas brancas roubadas.

As referências ao Cinema mundial e a cultura erudita são inúmeras, tantas que as vezes ficamos perdidos, mas com paciência e pesquisa ficamos inteirados de tudo – algumas tecladas no celular e tá resolvido -, coisa que para quem está acostumado com as obras cinematográficas do Woody Allen é algo bastante normal.

Leiam além da casca do humor, e se for possível leiam de novo, com certeza não vão se arrepender de rir (e refletir!) tudo de novo. Com Woody Allen sempre tem algum fio que a gente deixa passar

Fora de Órbita – Woody Allen | Editora Agir, 2007

Nesse espaçinho aqui quero deixar uma nota verdadeira de agradecimento a cada palavra dos comentários no post anterior. Foi emocionante demais ler cada um e até hoje me dá um nó na garganta de reler aquele texto e todas as palavras de apoio. Muito obrigada por todos que escreveram, compartilharam e leram meu desabafo. O post passou por muitas páginas, perfis e até conversas por Whats App e só tenho a agradecer todos vocês com muita sinceridade. Aos poucos eu vou agradecendo devidamente um a um. Obrigada por tudo e por todo aprendizado ❤ 

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8 opiniões sobre “Fora de órbita – Woody Allen

  1. Nunca li nada dele, tenho curiosidade, mas vou confiar no seu relato. Não sou muito amigo de contos, tenho um certo trauma escolar por conta dos livrinhos de crônicas obrigatórios.

    Mas convenhamos ele é um gênio Criativo…

    E outra o New Yorker não publica contos de qualquer um, os melhores escritores passaram por lá. Até o Philip Roth.

    Q bom q encontrou força.

    bjos e mais bjos

  2. Nunca li nada do Woody e como estudante de comunicação é uma VERGONHA que eu não tenha assistido nenhum filme dele com muito afinco. Porém, é o tipo de coisa que eu pretendo mudar logo (provavelmente nessas férias). De quaaaaalquer forma, pelo que você falou do livro, já fiquei com MUITA vontade de ler!

    beijos, beijos

  3. Agora eu é que estou impressionada, porque também não sabia disto! Fiquei com vontade de ler. Os livros leves são muito importantes, haha, ainda mais este do Woody, que parece expressar bem a opinião dele. Fiquei com vontade de ler – e adorei as fotos. Beijos!

  4. Já vi livros dele nas livrarias e já estive nas mãos com um que não lembro o nome agora. Sempre tive muita curiosidade de ler e agora que você contou como é, fiquei com mais vontade ainda! Vou acrescentar na minha listinha!
    Beijos!

  5. Pingback: Livros para ler em 2014 | Gosto de Canela

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