Eu, a fotografia e George Brassaï

Faz mais de 3 anos que me descobri apaixonada por Fotografia. Comecei a me encantar pela coisa após fazer minha conta no Flickr e abrir meus olhos pra técnica-arte. Sempre gostei de olhar o que as pessoas fotografavam, mas eu mesmo tinha pouca coragem de fotografar. Eu não me sentia segura sobre o que fazia e nem mesmo entendia porque queria fotografar ou qual era a real necessidade que eu tinha em fazer aquilo.

Em seguida comecei a faculdade de Turismo, aprendi sobre Antropologia, Lazer, História da Arte e criatividade, em outras palavras, aprendi o que com certeza carregarei comigo para a vida inteira e  luto para não perder. Com tudo que vi nessas matérias aprendi que temos que ter um lazer sem medo de qual, temos que entender Arte como humanidade e que criatividade é algo mais lindo e aprofundado do que todos os livros de auto ajuda e revistas dizem.

Eu quis abrir meus olhos, quis estimular minha criatividade, melhorar minha percepção, ouvir melhor, notar melhor, enxergar cores, luzes e sombras com sensibilidade e aí a fotografia surgiu como protagonista. Entendi que com essa técnica (fotografia) eu conseguiria chegar perto de todo esse plano ousado – confesso – e passei a usar o celular para registrar momentos. Só que com todo esse discurso e ideias que tinha eu ainda julgava meu próprio fazer, achava que o assunto era banal, que a paisagem era clichê, na verdade, eu queria reproduzir fotos de outras pessoas e nem percebia.

Gosto de Canela - Eu, a fotografia e George Brassaï

Lovers, Bal Musette des Quatre Saisons, rue de Lappe – Brassai

Gosto de Canela - Eu, a fotografia e George Brassaï

Brassaï, Quai Along the Seine

Na faculdade de Turismo aprendi a ir a exposições de Arte e num passeio pelo Centro do Rio, no Centro Cultural dos Correios, aconteceu uma exposição de fotografias de Brassai (Paris de Nuit). E aí, amigos, o Brassai entrou na minha vida para nunca mais sair. Me vi ficar emocionada na frente de fotografias de uma esquina vazia, de uma ponte, ou de uma rua, fiquei intrigada com fotografias de um portão, enxerguei uma outra Paris e vi fotografias da Torre Eiffel sob outro ponto de vista; na verdade, acredito que passei a ver minha vida sob outro ponto de vista.

George Brassai é o pseudonimo de Gyula Halász. Foi fotógrafo, escultor e cineasta húngaro que alcançou fama na metade do século 20. Sua relação com a fotografia começou quando trabalhou como jornalista em Berlin e, posteriormente, em Paris. Sua fotografia é essencialmente urbana. Sua coleção fotográfica, publicada em 1933 sob o título “Paris de Nuit“(Paris à Noite) é a prova de sua paixão por movimento, rostos difusos, noites de névoa e o espaço urbano. Brassai foi um dos mais conceituados fotógrafos do período.

Paris a Nuit - Torre Eiffel - Brassai

Brassai, Torre Eiffel – Paris de Nuit

Eu sou uma pessoa muito curiosa, apaixonada por ambientes urbanos e história, principalmente esse período que Brassai foi contemporâneo. Logo, ver todas aquelas imagens, imaginar aquelas pessoas, perceber o pouco que seja das percepções dele e entender que todo aquele talento foi possível a partir de fotografias consideradas algo do tipo “por que fotografar um portão?” – me fez reconsiderar meu olhar e parar de questionar o que fotografava. Foi um choque na minha mente que até hoje me lembro da sensação em que saí daquela exposição, até hoje me emociono com as mesmas fotos e quase encosto na tela para ver outras mais de perto.

Passei a me permitir. Passei a olhar da janela do ônibus de um outro jeito (e vocês não fazem ideia de quantas fotos já tirei de dentro do ônibus), perceber a minha cidade, a paisagem de outras, querer viajar para outro estado de ônibus só para ver o caminho, enxergar enquadramentos, a beleza de um café da manhã ou a disposição dos pisos da calçada. Fotografar me tornou muito mais sensível e aberta para novas coisas e diálogos. Não ligava mais se iriam achar bonito ou não, se iriam curtir ou não, se iriam favoritar ou visualizar, eu queria o resultado, queria apenas o ato de fotografar e desafiar/experimentar  a mim mesma.

Gosto de Canela - Eu, a fotografia e George Brassai

Brassai, Couple d’Amoureux dans un Petit Cafe

Gosto de Canela - Eu, a fotografia e George Brassaï

O próprio

Eu passei a querer registros do meu olhar sobre o mundo antes mesmo de querer que elas fossem bonitas. Na verdade acho que Brassai me fez querer isso.

E, afinal, para que escrever tudo isso aqui? Para me lembrar, mesmo com toda a correria que minha vida está, o quanto a fotografia é importante para mim mesmo não fotografando tanto; o quanto essa Arte com luz significa para minha sensibilidade e o quanto Brassai fez parte disso.

Se quiserem ver mais fotos clicadas por ele é só clicar aqui


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13 opiniões sobre “Eu, a fotografia e George Brassaï

  1. Que legal esse teu post! Pude ver através das tuas palavras o quanto és fã-devota da fotografia! Eu gosto, mas acho que não tanto quanto você. Talvez por não ter tido esse “click” de mudança de vida que a fotografia te causou, mas admiro isso! Muito! Espero que nunca percas essa essência de novas perspectivas e simplicidade que a fotografia te trouxe! É muito bonito!

    http://dosdiascorridos.wordpress.com

  2. Ingrid, que post mais lindo. Claro que eu fiquei com vontade de voltar no tempo e ir nessa exposição do Brassai. E fiquei com vontade também de ver mais imagens suas por aqui… divide com a gente essa sua nova visão do mundo?

  3. Eu adoro fotografia também, apesar de não entender muito. Acho muito incrível quando começamos a admirar tanto a obra de alguém a ponto de se sentir – como tu falou – emocionada diante daquilo. Eu gosto bastante das fotografias do Alfred Eisenstaedt, pelo pouco que conheço pelo menos. :***

  4. Fiquei emocionada aqui lendo esse post. Também tenho uma ligação muito forte com fotografia e esse teu post fez tanto sentido pra mim. Depois que descobri o mundo da fotografia, comecei a ver o mundo com outros olhos. Pra muitos, pode ser só uma foto, mas pra gente, é muito mais que uma simples ‘foto’. Né mesmo?
    Muita gente me questiona também.. ‘pq tirar foto disso, pq tirar foto daquilo’, seja um portão ou qualquer coisa menos ‘significativa’ para o olhar do outro, a gente acha arte nas coisas mais simples.

    Tô aqui babando nas fotos dele, que incrível. Só de ler o nome meus olhos brilharam pq já pensei que fosse um húngaro, ai terminei de ler a frase e vi que era mesmo.. hahaha

    Lindo post, Ingrid. ♥

  5. Que post mais amor!
    Entendo bem como é se encantar pela fotografia. Minha mãe é fotógrafa, então convivo com esse mundo diariamente, mas confesso que minha relação com a fotografia é mais “to de boa, fotografando de vez em quando” do que arrebatadora, sabe? E adorei ver um outro tipo de amor pela mesma refletida aqui nesse post, no caso esse seu amor tão seu, tão único e expressivo. E te entendo e apoio: temos mais é que fotografar o que faz sentido pra gente, o que toca a gente, e o problema é de quem não entender hahah
    E consigo ver perfeitamente o porquê de você se apaixonar tanto pelas fotografias de George: elas são mais bonitas do que as palavras podem descrever!
    Beijos =D

  6. Fotos lindas! Gostaria de também ter esse talento, ou pelo menos de ter mais tempo pra me dedicar a aprender sobre o assunto. Enquanto isso vou treinando fotografando coisas aleatórias de vez em quando.
    Beijo

  7. Pingback: Gosto de Canela

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