Para a saudade, fotografia.

Tem gente que passa pelos lugares e nem percebe. Eu, geralmente, prefiro perceber o lugar do que ser percebida. E por isso, onde quer que eu vá, eu tento observar o máximo que posso do meu trajeto, do meu ambiente, das cores, da luz, dos rostos e do prazer de estar ali – ou não.

Quando perco a timidez tiro fotos, quando não eu disfarço e tiro, ou então fico observando e com isso acabo “fotografando” mentalmente. Sejam coisas simples ou mais chamativas, coisas estranhas ou familiares, eu sempre tento ficar ali, de boa, observando felinamente. É um dos meus maiores prazeres: ficar parada ali, feito gato mesmo, olhando o tempo passar na minha frente enquanto alguns acham que eu não estou participando desse tempo que passa.

Nessas andanças da vida eu estagiei por 2 anos no Museu Casa de Rui Barbosa em Botafogo. Fui nessas controvérsias da vida e acabei sendo pega de corpo e alma com lembranças muito agradáveis da Casa e do próprio bairro. Acho que quem vive por lá não percebe a delícia que é andar por ali, ter a chance de entrar no jardim em alguns minutos do almoço e ficar tranquilo vendo o tempo passar, vendo tucanos assustando as sabiás ou lendo algum livro (já contei pra vocês que não consigo ler em casa?).

A luz de “lá” parece ser diferente, não faz tanto calor como o bairro onde moro, tive a oportunidade de ir a um cinema de rua e de conhecer o gatinho que mora nele. Conheci tanta gente legal, tive as melhores chefes e companheiros de trabalho da minha vida (e ouso arriscar que pouquíssimos irão superá-los), aprendi sobre Brasil, Cultura, Patrimônio, História Mundial e renovei meu olhar e sensibilidade. Me diverti, amadureci, me vi ser completamente outra em 2 anos fazendo um trabalho de visita mediada – trabalho no qual poucos reconhecem ser possível aprender algo além do “programado” ou que possa ser muito proveitoso para ambos (mediador e visitante).

De vez em quando – como agora – bate uma saudade imensa de lá. Dos sorrisos de quando você chega no portão, de quando abre a porta da administração para trabalhar e da vontade de voltar no dia seguinte mesmo sendo feriado. Dá saudade até do gatinho do cinema dormindo em pleno domingo com o cinema fechado ainda, da vista do shopping para o outro prédio com uma fachada bonita, de olhar a vitrine de um sebo super querido em que passei horas garimpando livros e conversas legais, da visão de estar sentada na poltrona esperando o visitante voltar, ver os jasmins nascendo novamente quando você olha pra cima para ver se vai chover e, na volta pra casa, ver o pôr- do- Sol do alto da Ponte Rio-Niterói.

Essa não é uma carta de amor à minha cidade; é só saudade de ter mais bons momentos e essas fotos me ajudam a lembrar como é:

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11 opiniões sobre “Para a saudade, fotografia.

  1. Que fofo esse post!
    Eu também sou dessas que gosta mais de perceber o lugar do que ser percebida, e sinceramente, acho isso incrível, porque você acaba adquirindo uma percepção pra o que está ao seu redor bem mais apurada.
    Enfim, suas fotos ficaram muito poéticas, adorei! ❤

    Beijos

  2. Enfim, já falei que adoro suas fotos, não vou ficar aqui puxando o saco hahahaha
    Mas gostei mesmo foi do que você escreveu no post. Ando muito nostálgica nessa última semana, lembrando de umas coisas, relendo meus diários… tem coisas que marcam a gente, né? E é maravilhoso que você tenha todo esse sentimento fotografado.

  3. Como eu já disse uma vez. Botafogo é o bairro mais São Paulo do Rio de Janeiro. Gosto muito daquele ambiente, as árvores e tudo mais. Ainda mais que quando eu fecho os olhos eu lembro das aventuras eu tive por lá. Não apenas dias de paz, dias de guerra também, mas que no final virou um dia de amor.

    Sempre que eu for para o RIo, vou tentar passear por Botafogo.

    Bjos e mais Bjos

  4. Também sou uma pessoa muito mais de observar do que ser observada. A timidez é um troço complicado e só Deus sabe a quantidade absurda de oportunidades que eu já perdi de tirar fotos incríveis por pura vergonha. Daí acabo fotografando mentalmente, como você mesma falou. E sinceramente, por mais que a lembrança assim corra o risco de ser muito mais “perecível”, nessa onda da obrigação de fotografar absolutamente tudo, fico ligeiramente feliz por ser meio desapegada, sabe?

    Queria muito ter a oportunidade de ter um estágio em um lugar tão bacana, com tanto aprendizado e que só deixasse lembranças boas. Ultimamente tenho achado que isso é querer um pouco demais, nunca consigo encontrar a oportunidade perfeita, mas não custa nada continuar procurando. As fotos ficaram lindas, lindas. E esse gatinho, ah nem ❤

  5. Muitas vezes estamos tão apressados que nem percebemos direito os lugares onde passamos, e afirmo com toda certeza, qualquer lugar tem uma beleza, explícita ou escondida, mas tem!
    Eu também amo fotografar, porém morro de vergonha de fotografar em público, daí, vários momentos e locais lindos acabam passando… ={

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