Mais que divas

A Julia, do blog Mostre as Pernas, gerencia um grupo no facebook e por lá surgiu a ideia de uma pauta em que falamos de nossas “divas”. Eu, bem particularmente, não gosto muito desse termo e só uso quando quero me divertir, usar gíria, tanto faz, mas entendo o significado.

Há tempos queria escrever sobre mulheres que admiro, que sinto influenciada ou que transpareçam uma parte de mim, mas vivo adiando na mesma medida que tenho vontade de falar sobre elas.

Para mim é muito difícil escolher “divas”; já fomos de uma sociedade em que tínhamos Virginia Woolf, Coco Chanel e Clarice Lispector como ícones de mulheres fortes e influentes, e hoje o que “tenho” contemporâneo a mim é a Lena Dunham com seu livro meio-diário-meio-crônica-meio-qualquer-coisa (perdão o desabafo e mais ainda perdão para quem gosta dela) e um seriado bastante questionável.

Reflexões a parte – desabafos mais a parte ainda – vou trazer algumas mulheres ou personagens referência da minha infância e da mulher que sou hoje. Sendo ela intelectual ou não, por motivos profundos ou não:

Anjelica Houston

Anjelica Houston/Mortícia Addams : eu usava o cabelo “dividido” ao meio por causa dela, queria unhas grandes e vermelhas por causa dela, eu sempre pedia batom vermelho por causa dela, eu queria roupas pretas por causa dela, mas minha mãe dizia que menina usava rosa e não preto. Eu era incansável vendo essa versão de Família Addams  e até hoje sou. Aí eu cresci, virei fã de Sandy & Jr e estraguei tudo. Até que cresci mais ainda e vi que tava tudo errado e voltei a suspirar quando vejo essa foto.

Alanis Morissette - i totally adore her! <3

Alanis Morissette: aí eu cresci, ouvi You Oughta Know e era como se alguém gritasse por mim toda opressão que eu sentia e até hoje é assim. Descobri que se pode ser mulher e romântica sem implorar por amor ou choramingar atenção. Alanis é muito mais rock n’roll que muita menina em banda de rock usando roupa com aplicação de spike e ela sempre vai ser uma inspiração de beleza livre, e cheia de identidade e força.

Coco Chanel, 1920s

Coco Chanel: a primeira mulher a construir sua própria riqueza, estima, respeito e filosofia a partir de seu próprio trabalho. Preciso dizer algo mais?

short haircut. Norah Jones

Norah Jones: quando eu fazia aula de inglês aos 14 anos minha professora vivia cantarolando músicas dela até que ela me emprestou um CD e nunca mais abandonei a Norah Jones. Conheci boa música; letras e voz honestas, tranquilas e isso me chamou muita atenção na Norah Jones: simplesmente ser e se impôr pra grandes públicos com seu piano e voz gentil.

Clarice Lispector

Clarice Lispector: a primeira escritora que li. A primeira que me bombardeou com palavras que iam muito além do impresso e que a cada vez iam ganhando mais significado para mim. Uma mulher tão reflexiva e profunda; que até seus livros infantis rendem assuntos infinitos. Uma escritora que me marcou tanto que ainda não sei traduzir muito bem em palavras.

Beautiful gold headpiece and adornment. (M.I.A. for Jalouse magazine - shoot by Romain Gavras)

MIA: muito mais #girlpower que Beyoncé e Rihanna juntas (tô polêmica). Mia nasceu na Inglaterra, mas cresceu no Sri Lanka, voltou pra Londres sem saber nada de inglês e quis fazer sua música: rap. Mas não pode ser um rap como o da Iggy Azalea e rebolar na TV por exemplo, o que ela faz é conceitual, experimental e cheio de referências de sua cultura. Enquanto Drake canta que nós “só vivemos uma vez “ela canta “você sempre viverá novamente” (numa referência a reencarnação), Drake canta que “ele veio da ralé” ela canta “NÓS viemos da ralé, mas o Drake ganha todos os créditos” e de que quebra mandou um dedo do meio durante a apresentação do Superbowl e está sendo processada até hoje por isso. Adoro gente que tem coragem ❤

Por último, mas muito importante:

Lana Del Ray YEAH

Lana del Rey: amigos, aqui a ligação é forte. Paguei com a língua em relação à ela. Não gostava, não entendia a fama dela até que ouvi o CD; e na real não me importei muito até ela lançar a música Ride e em seguida lançar o Paridise Edition: nesse momento a coisa ficou séria. Ela canta o que eu gostaria de cantar e usa as referências que eu gostaria de usar (Oscar Wilde, Nabokov, Whitman etc). Lana é livre pra ser triste, melancólica e filosófica quando tem vontade; faz shows com suas próprias roupas, fuma, anda pela rua de t-shirt e short jeans, tem celulite, braço gordinho, sai sem maquiagem e diz “Ultraviolence pode ser um CD que muita gente não goste, mas era o que eu queria fazer, então é isso.“, e atitudes como essas, na posição que ela está, é uma baita de uma atitude. Ai é muito amor, gente ❤

Poderia passar um post inteiro falando sobre cada uma delas, mas por hoje foi isso porque já tá enorme o post.

São todas mais do que divas para mim e espero que tenham gostado!


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7 opiniões sobre “Mais que divas

  1. Nossa amei, também citei a Mortícia no meu Divas inspiradoras! Amei suas escolhas, principalmente a Mortícia é claro, a Clarice e a Lana, também não entendi pq de tanto sucesso até ouvir as músicas dela^^!!!
    Bjoo^^!!!

  2. Muito interessante esse tema! A Mortícia foi uma referência tremendamente original e inusitada, adorei. Quer família mais autêntica que a dela? Hahaha, fã de Família Addams forever. E sabe, depois desse post me deu uma super vontade de ver o filme da Coco e saber mais a respeito. Como não sou muito ligada na moda e suas influências – apesar de saber o valor e achar interessante – nunca fui atrás pra saber mais a fundo. Boa oportunidade. Beijo, beijo!
    Ps: Lana Del Rey é diva, e se diva for um conceito real suficiente pra ela, chamo de ícone!

  3. Como é incrível ler um post tão bom e que transparece tanta verdade, mesmo ele caminhando na contramão de vários dos meus gostos. Sério, acho ainda mais maravilhoso quando me identifico com um texto que tem um tiquinho de coisas diferentes e fora da minha “zona de conforto” do que quando ele é tudo o que eu mesma escreveria (até porque nesse segundo caso é muito mais fácil de se identificar, né?)
    Digo isso porque adoro a Lena, apesar de ainda não ter lido o livro dela, e tenho um bode com a Lana desde quando ela surgiu pro grande público. Mas aí, lendo aqui o porquê as músicas – e a Lana mesmo – mexem contigo, deu até uma vontadezinha de rever dessa imagem que tenho dela :p
    E ai, Chanel, Clarice e Alanis são inspirações pra vida toda, e fiquei com vontade de saber mais sobre a Mia, porque sério, meu hall de referências sobre ela param em “Bucky Done Gun” hahahha. Bisous!

  4. Como é incrível ler um post que eu me identifico horrores, mesmo ele caminhando na contramão de vários dos meus gostos. Sério, acho ainda mais maravilhoso quando me identifico com um texto que tem um tiquinho de coisas diferentes e fora da minha “zona de conforto” do que quando ele é tudo o que eu mesma escreveria (até porque nesse segundo caso é muito mais fácil de se identificar, né?)
    Digo isso porque adoro a Lena, apesar de ainda não ter lido o livro dela, e tenho um bode com a Lana desde quando ela surgiu pro grande público. Mas aí, lendo aqui o porquê as músicas – e a Lana mesmo – mexem contigo, deu até uma vontadezinha de rever dessa imagem que tenho dela :p
    E ai, Chanel, Clarice e Alanis são inspirações pra vida toda, e fiquei com vontade de saber mais sobre a Mia, porque sério, meu hall de referências sobre ela param em “Bucky Done Gun” hahahha. Bisous!

    Ps: apaga o outro comentário depois, por favor? A forma como escrevi a primeira frase ficou uma coisa nada a ver com o que eu queria dizer hahaha. Desculpa a loucura da pessoa :p

  5. Sua geração ta perdida com a Lena! Rsrss! Mas estamos com uma carência de ícones! Ta cada dia pior e a tendência é piorar!
    Adorei a Mortícia, uma pena sua mãe ter impedido sua fase dark, eu acho legal, mas adoro a maneira que você se veste, vejo muita personalidade e adoro isso! Ah Lana…alguém te mostrou a moça…gosto muito da atitude e de como ela pensa essa coisa de fama e o culto a celebridade, eu acho que eu gostaria de beber com ela! A Mia é outra figura e diferente da galera do meio. Adorei o post bjos e mais bjos

  6. Pingback: Divas inspiradoras - blogagem coletiva do Divas

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