Muito obrigada por eu estar bem

Por essa semana andei sumida daqui. Consegui passar na prova que fiz (falei dela nesse post aqui), vou me mudar para São Paulo em Fevereiro de 2015, trabalhei feito louca nessa semana de Natal e decidi tirar uns dias de férias do blog e pensar na vida.

Esse ano foi um ano difícil, com mais baixos do que altos, mas no fim das contas, é assim que se aprende e amadurece. Foi com esses trancos que descobri o quanto posso ter forças pra me manter viva e sã nesse mundo e o quanto ainda preciso aprender. Descobri o quanto posso apoiar alguém e me permitir ser apoiada e no final do ano me ver envolvida em problemas e ainda assim me olhar no espelho e me sentir bem.

Em Julho desse ano escrevi um dos textos mais íntimos e emocionantes da minha vida a ponto de ler: “Você tem certeza que quer publicar isso?“. E eu quis. Choquei algumas pessoas, fui voz de outras, e, por fim, muitíssimo ajudada.

Falei sobre meus secretos problemas de auto-estima, sobre me olhar no espelho e ver um rosto cheio de poros e olheiras, sobre chorar no provador de uma loja, sobre não gostar de comprar roupas porque era vergonhoso, sobre ter remorso após comer e pensar em tirar tudo para não engordar e não “piorar” a situação do meu peso.

Quando cheguei a escrever eu já estava um pouco melhor, conseguia ir a praia, comprar calças que não fossem somente pretas e usar saias, mas a questão de me minimizar, me sentir envergonhada e insegura quanto ao meu corpo ainda eram constantes. Eu queria ser confiante e supostamente feliz sentindo vergonha, querendo disfarçar e detestando quem eu sou. Eu chegava a usar algumas peças “impróprias” para quem tem meu tipo de corpo, porém, ao mesmo tempo, entrei numa paranoia tão grande que influenciava meus relacionamentos, até mesmo com amigos, e quando me vi já evitava espelhos e fotos de corpo inteiro e me media com fita métrica todos os dias antes de dormir.

Gosto de Canela - Muito obrigada por eu estar bem

Escrever aqui me ajudou a conhecer histórias de pessoas que eu nem imaginava, apoio de quem eu nunca tinha visto ou escutado, meu texto foi passado adiante com palavras tão encorajadoras que me senti na obrigação de entender e enxergar a coragem que viam em mim só de ter escrito aquilo. Fui muito apoiada por muitas meninas que tinham acabado de conhecer meu blog, por pessoas que já me conheciam há anos tanto da internet quanto da minha vida mais pessoal e próxima. Cada comentário que lia eu chorava numa emoção que é difícil dizer.

Dias após eu reabri meu livro favorito sobre estilo e aparência e fui buscar novamente quem eu sou quando me visto, o que eu busco causar nas pessoas quando me veem e o que eu busco sentir quando me arrumo para sair. Me olhava no espelho de biquini ou lingerie tentando enxergar a mesma beleza que eu via em mulheres como a blogueira Nadia Aboulhosn e repetia pra mim mesma que dali pra frente eu não iria mais deixar espaço para inferioridade; eu não tenho motivos para isso e, na verdade, acho que ninguém deveria ter.

Algumas vezes o remorso de ter comido mais um pedaço de pizza chega, mas depois os pensamentos se esvaem e eu penso que tanto faz; o prazer de comer em família ou de simplesmente não conviver com o remorso de ter comido é muito melhor do que a momentânea ideia de perfeição.

Fui forte, comecei a trabalhar, me envolvi com outras tarefas, me olhava no espelho cada vez mais confiante. Se eu tinha olheiras é porque trabalho, tenho insônia, são minhas e pronto. Quando o cabelo tá bom fico feliz, mas se não está eu prendo, finjo que não tô vendo e sigo adiante; drama por causa de um cabelo com frizz por quê? Fui me fazendo essas perguntas, fui me dando minhas próprias respostas e há dias em que me sinto tão bem comigo mesma, tão bem resolvida com minha aparência que me pego sorrindo sozinha andando na rua ou na frente do espelho do quarto.

Eu vou escrevendo aqui e me emocionando porque todos vocês me ajudaram muito naquele momento. E agora, em que me sinto muito bem, vim aqui avisar a vocês, pois acredito que vocês mereçam saber que eu estou dando passos largos adiante.

A vida continua com suas artimanhas, mandando desafios pra gente se virar, porém, pelo menos estar bem com minha própria auto estima e aparência facilita tanto que vocês nem imaginam.

Eu não fazia ideia de que era tão bom olhar aquela atriz na TV, aquela modelo na Internet, aquela blogueira na rede social e não querer ser como elas. Que eram tão bom me sentir dona do meu próprio corpo. 

Obrigada por tudo pessoal. Obrigada mesmo.


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6 opiniões sobre “Muito obrigada por eu estar bem

  1. É Ingrid, você não é a mesma de quando tinha 17 anos. Faz um tempo que te acompanho né? Muita coisa mudou, você queria direito, tentou mil vezes, eu me lembro quantas vezes você ficou aguniada com as provas, ai você me apareceu com um: “passei na federal pra Turismo” E me surpreendeu. Você penou com arte, logo no começo, mas me lembro muito bem que eu disse que você ia gostar e pronto você virou minha melhor parceira de museus do mundo.

    Mas com você nada é muito igual, não existe dia normal. Quando fica bem normal você vai lá e corta o cabelo bem curto. E olha que começou com uma brincadeira. Nesses repentes você me disse que iria largar o Turismo, não era mais sua praia. Eu fiquei com medo. Mas você não estava mais feliz.

    Conversamos um tempo, você pensou em outra área, mas no finalmente você tomou coragem e foi pra moda. E agora você passa no SENAC.

    Como eu tenho orgulho de você.

    Bjos

  2. Ingrid, eu conheci o Gosto de Canela meses após esse seu post, então não cheguei a conhecer esse seu pedacinho. Foi quando eu tinha a sua idade que eu tive uma nóia bem grande de emagrecer porque fui trabalhar em uma loja e me diziam todos os dias que eu tinha que entrar na calça 38, não na 40. Meses depois estava na 36. Se eu tava feliz? Nem um pouco. Me afundei em uma vida bizarra, mas depois de um tempo eu percebi que tudo que eu tava fazendo era me destruir. Eu sempre tive muita personalidade e nunca me importei com o que diziam ou pensavam de mim, mas eu era cobrada por diminuir um número de calça e eu precisava daquele emprego. Minha ficha caiu, pedi demissão e fui ser feliz.
    Alguns anos se passaram, me tornei mãe e acredite, mesmo com o processo que o corpo passa na gravidez, hoje eu me amo e amo o corpo que tenho. Nunca na vida fui tão feliz comigo mesma e uma coisa eu aprendi, quando a gente se sente bonita, nos tornamos mulheres belíssimas e poderosas. Nós não temos que ser ninguém além de nós mesmas, seja feliz, o resto vem de brinde. Te apoio em continuar firme na autoestima!

  3. Nossa, aceitação com o corpo na sociedade de hoje é uma coisa muito muito penosa. Também senti na pele e me identifiquei muito muito com você; também me sinto mais confiante hoje em dia com minha aparência e ando desejando ser ninguém mais que eu mesma. Parabéns por esta superação ❤ Espero que mais de nós, todas nós, comecem a enxergar a si mesmas como você fez. Abraços, e feliz 2015!

  4. Há vida além do tamanho 42 foi um dos primeiros post que li e não sai mais daqui. Não foi por falar do tamanho do manequim ou da pressão da sociedade, mas foi pela aceitação. Achei tão forte o que li naquele dia que, mesmo na época sendo super travada pra comentar em blogs de gente que não conhecia, precisei deixar um comentário te parabenizando. E hoje eu repito o que te falei naquele dia, quer coisa mais saudável que felicidade? Parabéns, de novo, bonita.

  5. Sou novata aqui no blog e não conhecia o seu texto “sobre espelhos e medidas”, mas lendo ele agora e lendo tudo que você escreveu nesse último post, só posso dizer que mesmo de longe, mesmo te conhecendo tão pouco e mesmo sendo tão novinha por aqui, tô imensamente feliz por você. Imagino como o caminho entre esses dois posts não foi fácil, e que mesmo agora ainda não é, mas é maravilhoso saber que você tem encontrado seu caminho passo a passo, tijolinho por tijolinho. Queria te deixar de presente de Natal (atrasado hehe) um abraço apertado e um ‘you go, girl!’

    “Cause every inch of you is perfect
    From the bottom to the top”

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