Enigma Magazine: uma revista de Moda com identidade

Há um tempo eu venho procurado por novas publicações de Moda (sejam elas virtuais ou físicas). Comecei a me cansar dos mesmos assuntos “fitness”, “SPA”, “must have” e rostos de sempre, essa é a verdade. E comentando esse meu descontentamento com o Maldito Vivant ele me mandou o link da Enigma Magazine e de uma entrevista com a editora chefe Yasmine Shihata.

Riham Haggag, atriz egípcia na capa da edição comemorativa de 15 anos da revista Enigma Magazine

Yasmine, aos 20 anos trabalhava como assistente da Anna Wintour (a inspiração para Miranda Presley de “O Diabo Veste Prada”), porém ela foi além, abriu seus horizontes, percebeu que todo aquele mundo não era pra ela e aos 22 voltou para o Egito com uma ideia ousada: lançar uma revista de Moda internacional, mas que dialogasse com as mulheres árabes.

É clara a influência dos próprios árabes na revista. Desde a escolha das locações para fazer os editoriais até as modelos nas capas – que em maioria tem sobrancelhas marcantes e traços fortes, característicos das mulheres que leem a revista – são pensadas para mesclar Moda internacional com a cultura árabe.

Yasmine, editora chefe da Enigma Magazine

Dizer que a ideia é corajosa é pouco. A revista Enigma, lançada nos anos 2000, quer falar para essas mulheres que elas podem ser empreendedoras e independentes antes de se casarem; dizer a elas que elas podem ter cargos em corporações e não terem somente as opções de ser donas de butiques ou joalherias (empresas “culturalmente” femininas) em que o marido é o grande investidor.

Yasmine quer dizer para a mulher egípcia, e árabe de um modo geral, que ela pode ser mais do que dizem para ela e de maneira muito inteligente ela identifica o que as mulheres egípcias querem ler. E não digo “dar aos leitores o que ele querem ler” de uma maneira superficial, mas de ser sensível o suficiente para perceber todo o cenário em que seu público está.

Arwa Gouda, atriz da Arábia Saudita

No Oriente Médio enfrenta-se muita instabilidade política, guerras, fortes costumes machistas e segredadores de classes, todos se veem em constante desafio de si mesmos; e é justamente por isso que Yasmine se preocupa em sempre transmitir a mensagem de “Não desista!” ao convidar pessoas bem sucedidas (árabes ou não) devido ao seu trabalho e não por ter parentes ricos e influência política. É dizer para todo esse grupo de pessoas que não é fácil, mas é possível. É ter a ousadia de dizer para uma árabe que ela pode mudar seu próprio destino.

Em entrevista para Business O Feminin, Yasmine cita alguns exemplos de mulheres fortes, inteligentes e de sucesso que são verdadeiros exemplos para as suas leitoras: Rainha Rania da Jordânia, Oprah Winfrey e principalmente,  Amal Alamuddin – a atual esposa do George Clooney – por ter conquistado uma carreira profissional impressionante antes de se casar.

E no fim, após ler toda a história da revista e da editora chefe, percebo como é importante o exemplo e a relevância de mulheres e revistas como estas. Como a Enigma Magazine também é uma sobrevivente após perder vários investidores durante a guerra no Iraque e depois com a revolução no Egito e como uma mulher que mudou seu destino escolheu tentar mudar o de outras também.

Revistas como essas nos mostram do que uma boa publicação de Moda é capaz; que é possível influenciar de modo positivo e construtivo com Moda e não somente dizer “use isso ou compre aquilo pro tipo de corpo que dizem que você deve ter“.


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4 opiniões sobre “Enigma Magazine: uma revista de Moda com identidade

  1. Ela tem uma missão muito complicada, mas as poucos a revista vem ganhando um grande destaque entre várias camadas da sociedade do Egito. Acho legal dar exemplos construtivos, e o mais legal que tira a imagem que a mulher só pode ser competente por conta da sua beleza!

    Gostei do post…bjos e mais bjos

  2. Putz, é incrível e inspirador conhecer mais desse lado mais crítico do cenário da moda, sem ser aquela coisa banal, que se importa em passar uma mensagem de valor e proveitosa, né! E esse post me lembrou de quem, de quem? Marjani Satrapi ♥
    Conhecer a história dela, o que ela passou, a família e todo povo com a questão da Revolução Iraniana e ver que apesar de tudo, a Marji chegou onde chegou….ahh é de uma grandiosidade tremenda <33
    C tem que ler logo Persépolis, cara ♥
    beijoo

  3. Em primeiro lugar: que lindo seu blog! Fiquei feliz com a visita lá no meu, e obrigada por deixar alguns títulos de livros por lá! Estão anotados 🙂

    Eu não sou muito ligada em revistas de moda, até porque essas coisas de fitness, spa e etc não são nem um pouco a minha cara, e nem do meu interesse. Histórias como a dessa revista e a dessa editora, no entanto, me interessam e muito nos últimos tempos. Entender seu público e do que ele precisa, diversificar, e mandar uma mensagem positiva (e tão importante!!!) assim pras mulheres é algo muito muito bacana.

    Beijo!

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