Não falar mal da aparência alheia muda nossa relação com nós mesmos

Desde que escrevi o texto/desabafo “Sobre espelhos e medidas” decidi pensar diferente em relação ao meu corpo e a minha própria imagem – e isso fez um ano agora em Julho. Com isso me cerquei de novas leituras, influências e principalmente, atitudes – o que não é nada fácil; e, nesse meio tempo, comecei a acompanhar esse site: Sobre Transtornos Alimentares.

A autora do site, a nutricionista Nathália Petry, tem o objetivo de encorajar uma relação de maior aceitação com seu corpo e a comida, tirando o foco da aparência e dessa ditadura da magreza. Além disso, ela tem um trabalho super bacana – e importante! – de atualizar um mapa com diversas clínicas para o tratamento de Transtornos Alimentares.

E, no início do ano, um texto sobre imagem corporal me marcou bastante. O post, com 5 dicas para que tenhamos um relacionamento mais positivo com o nosso corpo e com o do outro, me fez pensar por um bom tempo e desde então tenho praticado essas atitudes. Não vou falar aqui sobre as 5, mas vou falar sobre a que mais me fez pensar:

4.Evite falar mal da aparência de outras pessoas. Falar mal da aparência de outras pessoas irá passar a mensagem de que você também vai aplicar estes padrões de julgamento nas pessoas que estão ao redor de você.

Eu nunca fui de me preocupar muito com a aparência alheia, mas ainda assim, às vezes, eu me via falando alguma bobagem sobre a roupa de alguém ou cabelo. Coisa de hábito, de senso comum. Mas quando se gosta/estuda Moda ficamos muito ligados ao que é “harmônico”, “equilibrado” ou, no raso “feio ou bonito” e do “gosto ou não gosto” por mais que nos ensinem o contrário. E o que é pior, muitas vezes esses julgamentos de aparências estão dentro de sala de aula, tanto por parte dos alunos uns com os outros, quanto dos professores que querem dizer que há certo e errado na hora de se vestir, especialmente quanto ao seu formato de corpo.

Não falar mal da aparência alheia faz bem - Gost de Canela

Desde o início do ano tentei pôr todas as dicas em prática, da maneira mais dedicada possível, e confesso que está sendo uma experiência maravilhosa e desafiadora. Achei que evitar falar da aparência dos outros fosse ser uma coisa pequena, simbolizar pouco no meu dia-a-dia, mas vocês não tem ideia de como é diferente e mais prazeroso andar nas ruas e conviver com pessoas sem se preocupar com a aparência delas; elogiando outras características que não sejam físicas. 

 É ir além e não ficar tecendo comentários nem do fulano que só usa marcas, ou daquele que usa roupas “diferentes demais” ou não sabe “usar roupas pro seu tipo de corpo”. É não falar mal nem do alternativo e nem do “mainstream”, e o mais difícil: separar quando se está falando da aparência de alguém ou comentando simplesmente de um objeto que você não gosta nem pra você nem pra ninguém; mas se a pessoa está usando, ok. Tanto faz.

Não gosto de distribuir conselhos, dicas para alcançar isso ou aquilo como um manual ou um passo-a-passo; acredito que nós mesmos elaboramos nossos próprios métodos quando se trata de cotidiano, convívio e principalmente, esse relacionamento entre nós mesmos e o mundo, porém, sobre essa atitude me arrisco à aconselhar. É um exercício diário e que vale muito, muito a pena. 

Se a maneira como o outro se veste não é julgada, se o peso dele também não, a maneira como você lida consigo mesmo muda também; são características que acaba tratando como menos relevantes, e então você começa, também, a refletir essas “despreocupações”, digamos assim, em você mesmo e com você mesmo. Me dei conta de que ao fazer isso eu também passei a ser menos auto-crítica com meu corpo e passei a ter um relacionamento mais saudável com minha aparência e com as roupas que uso. O espelho não está sendo mais um inimigo apontando todos os meus defeitos e marcas, e poucas coisas se comparam ao alívio de não querer se ajustar o tempo inteiro.


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8 opiniões sobre “Não falar mal da aparência alheia muda nossa relação com nós mesmos

  1. Post realmente inspirador, tudo o que você disse é como um passo inicial para parar de se incomodar com tudo o que os outros fazem e um passo a frente para nos aceitarmos mais, do jeito que somos.
    Gostei muito.
    ;*

  2. Olha, amei!
    Essa dica me foi muito útil! Ando numa luta de me aceitar melhor, as vezes me pego olhando fotos de corpinhos bonitos e pensando que queria ser daquele jeito, e em outros momentos tenho um certo remorso de fazer isso.. Tô tentando melhorar isso, mas não é fácil! Certamente que, não falar mal da aparência alheia ajuda bastante nisso.. Nunca fui de comentar sobre, mas na minha cabeça isso sempre passou haha
    Adorei o post!
    Beijo :*

  3. Um dia no ensino médio fizeram uma brincadeira no primeiro dia de aula, com intuito de ”apresentação” pra uma professora nova. Consistia em um papel com o seu nome e as pessoas escreviam o q achavam de vc e vc escrevia o que achava delas, tudo em anônimo. Procurei algo bom até em quem eu não gostava porque gostaria que vissem algo bom em mim também. Aplico isso na vida, sabe? Em tudo que eu vejo procuro algo que me identifico, que eu usaria ou que eu achei interessante e o que eu não gosto em nada apenas não penso sobre – e muito menos falo sobre. Não que a minha opinião relevante, mas eu faço como exercício. Engraçado é que eu faço moda também e no meu curso não existe ”feio e bonito” na sala de aula. Inclusive meus professores quando conversam com a gente sempre frisam isso. Já problematizamos Esquadrão da Moda, roupa e gênero, consumo desenfreado e trabalho escravo nas aulas, sempre! Acho que foi o que me fez gostar tanto do curso!

  4. Olá Ingrid!
    Realmente, estamos acostumados a julgar a aparência dos outros, especialmente as mulheres! Umas julgam mais, outras menos, mas todas o fazem. Conheço pessoas que vivem suas vidas (e não são poucas) baseadas em falar mal dos outros e ver novela. Seééério. Assim fica difícil. Procuro me policiar ao máximo evitando esse julgamento, porque na verdade é um dedo apontado contra nós mesmas.
    Parabéns pelo texto, os links que vc deixou todos são interessantes tbm, super legal isso.
    Um bjo!

    http://www.vivendovivi.blogspot.com.br

  5. O mais engraçado disso tudo (acho que ‘triste’ seria uma palavra melhor, na verdade) é que a gente acha que não está julgando, que está super de boas com tudo… mas quando percebe, está gongando a roupa ou o cabelo de alguém. Totalmente desnecessário MESMO. Vem de onde essa negatividade, né? Eu tento ser uma pessoa mais aberta pra tudo, todos os dias. É difícil, mas a vida fica TÃO mais leve assim…

  6. Sabe que por já sempre ter sido muito insegura e com autoestima baixa (ainda farei um post sobre isso) , eu normalmente não tenho o costume de ficar falando mal da aparência alheia. Claro que me pego fazendo um comentário desnecessário uma vez ou outra, mas procuro me policiar quanto a isso. Acho que sem saber eu praticava desde cedo uma espécie de empatia.

    Levei um bom tempo pra melhorar a relação que tenho comigo no geral e digo melhorar mesmo, pq ainda hoje o negócio tá feiooooooo. É um ótimo exercício sim. Seria ótimo/mara/perfeito se as pessoas se preocupassem com coisas mais interessantes ao invés de ficarem compartilhando meme da “bunda negativa” da Lindsay Lohan nas interwebs. Mano, por isso quero q o mundo exploda e já ♥

    ps: como assim 7 meses já em sp?! O:
    seria um prazer te conhecer (que vergonha socorrrrrrrr! haushuashuahsuhuhsa)

  7. Pingback: Just Found » Arquivos » O que tem por aí: Blog Day!

  8. cara, que texto foda… eu to praticando muito isso na minha vida, sabe? às vezes vejo algo que considero bem bizarro na faculdade, mas logo meu sensor-anti-senso-comum apita na minha cabeça e eu paro meu pré-julgamento. e isso só tem me feito bem, porque tem vezes que eu acabo trocando ideia com essas pessoas que eu poderia ter julgado antes e percebo que elas são legais. isso aconteceu com uma menina da minha sala. ela vai bem arrumadinha pra aula, tipo como se tivesse indo pro lollapalooza e eu fico pensando “miga, que disposição é essa logo de manhã?”, mas parei de julgar sabe. se ela se sente bem se arrumando fofuramente pra ir pra aula, não tenho nadaaa a ver com isso. e ela é super gente boa, tem umas ideias legais, então nadaver eu focar nas roupas dela.

    beijos!

    http://www.pe-dri-nha.blogspot.com

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